O jacarandá
Transportada pelo vento e deixada em um cantinho úmido a pequena e frágil semente encontrou ali elementos que a fizeram germinar. Um brotinho aqui, uma raiz ali e ele foi se formando lentamente, em sua juventude escapou de ser pisoteado por criações, escapou da foice ,do fogo e da seca. Resistência, perseverança, foi crescendo, cada dia mais belo, uma ramagem verde, uma sombra que cada dia aumentava, em seus galhos abrigava ninhos, abrigava pássaros viajantes, foi usado como abrigo para muitos seres viventes, cresceu ,atingiu altura ,enorme ,enfeitava a paisagem ,floresceu , espalhou suas sementes ao sabor dos ventos, os anos foram passando, já não floria mais, seus galhos enfraquecidos já não vicejava, as folhas caiam , formando um tapete no chão, mas a sombra? A sombra não mais existia, de vez em quando um galho seco despencava das alturas.
Seu tronco carcomido pelos cupins, curvava , enormes buracos se abrirão, a podridão era eminente, sua vida já não valia nada, outrora cobiçado, o seu tronco definhava ,sentia a cada dia que o fim estava próximo, já ouvia o desdenhar de sua figura por quem outrora admirava sua beleza
Só restava agora aguardar o momento fatídico, não demorou . Uma tempestade desenhou no horizonte, os ventos assobiando e com muita força atingiu em cheio o que restava dele, tombou ,deitado sobre o solo e coberto de mato se desfez . Era o fim do majestoso jacarandá que agora jazia soterrado pelos ramos secos.
Seja como o jacarandá, aguarde sua vez com sabedoria, pois a vida passa ...
Luiz, Ipatinga, abril de 2024
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